Santa Catarina, terra de praia bonita, indústria forte… e, aparentemente, um laboratório experimental de inovação em licitação criativa.
Se corrupção desse certificação internacional, já tinha auditor batendo palma e entregando diploma em solenidade com coffee-break pago por “contrato emergencial”.
A nova temporada da série “Prefeitura S.A.” veio com a operação “Control C – Fase II”, deflagrada pelo GAECO para investigar uma suposta organização criminosa especializada em transformar edital público em manual de instruções para empresa amiga ganhar contrato.
Basicamente, o edital já nascia sabendo quem ia vencer — tipo campeonato de videogame jogado com o controle desconectado.
Segundo a investigação, o esquema era simples, eficiente e quase didático:
a empresa ajudava a escrever o Termo de Referência;
o edital saía sob medida;
concorrentes eram rejeitados com argumentos… curiosamente escritos pela própria empresa favorecida;
e pronto: contratação finalizada com a elegância de quem copia trabalho da internet e só troca a fonte.
Nem faculdade de administração ensina gestão pública com tanto “espírito colaborativo” entre fornecedor e prefeitura.
O nome da operação não poderia ser mais sincero: Control C.
Porque aparentemente o único atalho que funcionava na administração pública era o de copiar requisito técnico e colar vantagem privada.
E veja a ironia: enquanto parte da classe política vive discursando sobre “gestão eficiente”, “combate à corrupção” e “Estado mínimo”, a realidade mostra prefeito sendo investigado com frequência quase estatística. Santa Catarina já está parecendo franquia de operação policial — cada temporada em um município diferente.
Não significa que todo mundo seja culpado, claro. Investigação não é condenação.
Mas convenhamos: quando operações desse tipo viram rotina, o problema deixa de ser indivíduo e vira cultura administrativa do improviso com verba pública.
É o famoso paradoxo catarinense: o estado que cobra eficiência alemã na economia, mas às vezes entrega jeitinho latino na licitação.
No fim das contas, a operação “Control C” só reforça uma verdade incômoda: quando a política vira negócio, o edital vira contrato de amizade — e o contribuinte vira patrocinador involuntário.
Se continuar nesse ritmo, Santa Catarina não vai ganhar só destaque econômico. Vai ganhar manual próprio de “como fraudar sem usar papel carbono”.



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