ISO 9001 da picaretagem catarinense (3)

Quando a licitação vira “Ctrl+C, Ctrl+V” e a ética entra em modo avião.

Santa Catarina, terra de praia bonita, indústria forte… e, aparentemente, um laboratório experimental de inovação em licitação criativa.

Se corrupção desse certificação internacional, já tinha auditor batendo palma e entregando diploma em solenidade com coffee-break pago por “contrato emergencial”.

A nova temporada da série “Prefeitura S.A.” veio com a operação “Control C – Fase II”, deflagrada pelo GAECO para investigar uma suposta organização criminosa especializada em transformar edital público em manual de instruções para empresa amiga ganhar contrato.

Basicamente, o edital já nascia sabendo quem ia vencer — tipo campeonato de videogame jogado com o controle desconectado.

Segundo a investigação, o esquema era simples, eficiente e quase didático:
a empresa ajudava a escrever o Termo de Referência;
o edital saía sob medida;
concorrentes eram rejeitados com argumentos… curiosamente escritos pela própria empresa favorecida;
e pronto: contratação finalizada com a elegância de quem copia trabalho da internet e só troca a fonte.

Nem faculdade de administração ensina gestão pública com tanto “espírito colaborativo” entre fornecedor e prefeitura.

O nome da operação não poderia ser mais sincero: Control C.

Porque aparentemente o único atalho que funcionava na administração pública era o de copiar requisito técnico e colar vantagem privada.

E veja a ironia: enquanto parte da classe política vive discursando sobre “gestão eficiente”, “combate à corrupção” e “Estado mínimo”, a realidade mostra prefeito sendo investigado com frequência quase estatística. Santa Catarina já está parecendo franquia de operação policial — cada temporada em um município diferente.

Não significa que todo mundo seja culpado, claro. Investigação não é condenação.

Mas convenhamos: quando operações desse tipo viram rotina, o problema deixa de ser indivíduo e vira cultura administrativa do improviso com verba pública.

É o famoso paradoxo catarinense: o estado que cobra eficiência alemã na economia, mas às vezes entrega jeitinho latino na licitação.

No fim das contas, a operação “Control C” só reforça uma verdade incômoda: quando a política vira negócio, o edital vira contrato de amizade — e o contribuinte vira patrocinador involuntário.

Se continuar nesse ritmo, Santa Catarina não vai ganhar só destaque econômico. Vai ganhar manual próprio de “como fraudar sem usar papel carbono”.

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Bituca Salim

Bituca Salim é comunicador político independente que traduz política, economia e poder em linguagem direta e sem maquiagem. Entre humor ácido e debochado e dados reais, expõe hipocrisias, critica privilégios e provoca debate. Não pratica neutralidade falsa e assume lado: o de quem vive do trabalho, não do rentismo. Informar, cutucar e tirar da zona de conforto é o objetivo.

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