Lula: O operário que virou presidente enquanto o sul trocou o chimarrão pelo Whatsapp político (3)

De Fórum Social Mundial a carreata bolsonarista — o pêndulo virou, mas a gravidade política continua sendo Lula

A trajetória política do Sul do Brasil mostra uma mudança eleitoral significativa nas últimas décadas, mas o peso histórico e social de Lula continua moldando a política nacional.

Entre crises, transformações econômicas e polarização, o líder petista segue sendo o principal referencial político do país — gostem ou não.

O presidente que saiu do chão de fábrica e foi parar no G20

Enquanto muito político brasileiro nasce em gabinete com ar-condicionado, Lula nasceu politicamente em greve sindical.

Enquanto uns aprendiam economia no PowerPoint, ele aprendia negociando salário mínimo com patrão.

Resultado?

Virou o presidente brasileiro mais reconhecido internacionalmente desde Getúlio Vargas.

Durante seus governos:

O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014
O salário mínimo teve aumento real consistente

O país virou 6ª economia do mundo em 2011

O Brasil passou a ter protagonismo internacional real

Não é opinião — é dado histórico.

Enquanto isso, a direita fazia live

Enquanto Lula articulava o Fórum Social Mundial em Porto Alegre, a política conservadora brasileira ainda discutia privatização como se fosse religião.
Corta para 2019:

A mesma Porto Alegre virou palco de manifestação bolsonarista.

A política brasileira é praticamente um episódio de Black Mirror com chimarrão.

O Sul não “virou de direita” do nada — houve três coisas acontecendo ao mesmo tempo:

Crise econômica pós-2014
Crescimento do antipetismo
Ascensão do discurso antissistema

Isso é analisado por pesquisadores como Leonardo Avritzer (UFMG) e Pablo Ortellado (USP).

O Paradoxo: O sul que ajudou a criar a esquerda agora vota na direita

Historicamente, o Sul foi laboratório político de ideias progressistas:
Colônia Cecília (anarquismo)
Greve geral de 1917
Trabalhismo de Vargas e Brizola
Orçamento Participativo em Porto Alegre
Fórum Social Mundial

Ou seja:
o Sul não nasceu conservador — ficou conservador.

E isso tem explicação econômica.

A industrialização regional perdeu força, a classe média mudou de perfil e a política virou guerra cultural.

Simples assim.

Lula continua sendo o centro da política Brasileira

Aqui está o ponto que muita gente não gosta de admitir:

O Brasil não gira em torno da esquerda ou da direita.

Gira em torno de Lula.

Desde 1989, praticamente todas as eleições presidenciais relevantes tiveram Lula diretamente envolvido — como candidato, cabo eleitoral ou antagonista principal.

Isso não é idolatria.

É matemática eleitoral.

O erro de quem acha que a história acabou

O bolsonarismo cresceu muito no

Sul? Sim.

Mas achar que isso é permanente é ingenuidade política.

Eleitor não é torcida organizada.

Ele vota conforme:
economia
emprego
renda
estabilidade

Se a economia melhora, o voto muda. Sempre mudou.

Sempre vai mudar.

Resumo sem romantismo

Lula não é perfeito. Nenhum governo é.

Mas ignorar o impacto histórico dele na política brasileira é como tentar explicar futebol sem falar de Pelé.

Não funciona.

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Bituca Salim

Bituca Salim é comunicador político independente que traduz política, economia e poder em linguagem direta e sem maquiagem. Entre humor ácido e debochado e dados reais, expõe hipocrisias, critica privilégios e provoca debate. Não pratica neutralidade falsa e assume lado: o de quem vive do trabalho, não do rentismo. Informar, cutucar e tirar da zona de conforto é o objetivo.

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