Duas operações do Gaeco investigam possíveis fraudes em contratos públicos da Prefeitura de Criciúma, envolvendo licitações de limpeza urbana, tecnologia e geoprocessamento
Enquanto o discurso político catarinense insiste em vender moralidade administrativa como marca registrada da direita local, a realidade segue produzindo manchetes policiais em série.
O estado que vende moralidade em promoção
Santa Catarina adora se vender como o “estado da gestão eficiente”, da política técnica, do empreendedorismo e da honestidade quase escandinava.
É praticamente a Suíça — só que com mais operações policiais e menos chocolate.
Porque, curiosamente, toda vez que alguém levanta a bandeira da moralidade administrativa por aqui, o Gaeco levanta mandado de busca e apreensão.
Coincidência? Talvez.
Frequência? Nem tanto.
Operação “Varredura”: Limpeza urbana, sujeira política
A chamada Operação Varredura investiga um possível esquema em contratos de limpeza urbana firmados pela Prefeitura de Criciúma em 2018.
Sim, limpeza urbana.
Nada mais simbólico do que corrupção justamente no setor responsável por limpar a cidade.
É quase poético — se não fosse dinheiro público.
Segundo o Gaeco, há indícios de:
fraude em licitações
conluio entre empresas
contratos emergenciais suspeitos
pagamentos indevidos
favorecimento empresarial
Ou seja, aparentemente a concorrência era tão livre quanto vaga de estacionamento em frente à prefeitura.
Foram 20 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Paraná.
Porque quando a coisa é organizada, vira esquema regional — tipo franquia de irregularidade administrativa.
Operação “Skyfall”: O 007 do contrato público.
Já a Operação Skyfall investiga um possível esquema envolvendo tecnologia, geoprocessamento e engenharia de sistemas.
Nome de filme do James Bond.
Roteiro de sessão da Câmara Municipal.
Entre as suspeitas:
agente público como sócio oculto de empresa contratada
editais sob medida
fragmentação de contratos
subcontratações combinadas
empresa criada e contratada rapidamente
uso indevido de recursos da educação
Basicamente um manual completo de “como não fazer gestão pública”.
Foram 16 mandados de busca e apreensão em Criciúma, Nova Veneza e Balneário Rincão.
O mito da direita moralista Catarinense
Existe uma narrativa muito popular em Santa Catarina:
a de que a direita local seria naturalmente mais ética, mais eficiente e menos corrupta.
É o famoso “aqui não tem isso” — que costuma durar até a próxima operação policial.
A política catarinense gosta de posar de empresa privada:
fala de eficiência, produtividade e meritocracia.
Mas às vezes a prática lembra mais um consórcio informal de interesses bem alinhados.
O discurso é:
“menos Estado, mais gestão”.
A realidade parece ser:
“menos fiscalização, mais oportunidade”.
Hipocrisia: O produto mais exportado da política
O curioso não é a existência de investigações — corrupção não é exclusividade ideológica em lugar nenhum.
O curioso é o contraste entre o discurso moralista e as manchetes recorrentes.
Santa Catarina vende a imagem de política técnica.
Mas, quando a polícia chega, descobre que a técnica às vezes é direcionar edital melhor do que GPS.
Não é um problema de partido. Não é um problema de cidade. Não é um problema isolado.
É um problema estrutural: a política que acusa corrupção como slogan eleitoral e depois governa como se o slogan fosse só marketing.
Finalizando sem passar pano
Se existe algo realmente eficiente em parte da política catarinense, é a capacidade de:
criticar Brasília
apontar o dedo para outros estados
defender moralidade em discurso
e aparecer em operação policial em silêncio
É quase um ciclo administrativo.
Planejamento → Licitação → Investigação → Nota oficial → Memória curta.
A famosa gestão por esquecimento coletivo.
E assim segue Santa Catarina:
um estado que se orgulha da própria honestidade enquanto o Gaeco precisa trabalhar em turno extra.



Deixe um comentário