SC inventa o “combate ao feminicídio em modo offline” (3)

Enquanto o Brasil tenta agir junto, o governo Jorginho prefere jogar no modo “eu resolvo sozinho” — e os números continuam gritando.

Santa Catarina conseguiu um feito raro: ser o único estado do Brasil a olhar para um pacto nacional de prevenção ao feminicídio e dizer algo como “valeu, mas deixa que a gente se vira”.

É quase como recusar bombeiros porque você comprou um balde.

O governo federal, liderado pelo presidente Lula, lançou o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, coordenado pelo Ministério das Mulheres, justamente para integrar políticas públicas entre União, estados e municípios.

A lógica é simples: violência contra mulheres não respeita fronteiras administrativas.

Mas o governo do governador Jorginho Mello (PL) resolveu não aderir.

Quando a realidade não combina com o discurso

A justificativa oficial foi de que Santa Catarina já possui políticas próprias consideradas eficientes para o enfrentamento da violência de gênero.

Só tem um detalhe inconveniente:
os números não confirmam essa confiança toda.
Segundo dados recentes:

Santa Catarina registrou 225 tentativas de feminicídio em 2025

O estado aparece como o 5º maior número do Brasil
Florianópolis lidera no estado, com 14 casos registrados

Ou seja: se isso é eficiência, o problema não é falta de política — é falta de resultado.

Cooperação não é ideologia – É gestão

O pacto nacional não tira autonomia dos estados. Ele serve para:
integrar dados
compartilhar recursos
coordenar estratégias
fortalecer políticas públicas
padronizar protocolos de proteção

Em português claro: somar esforços para salvar vidas.

Recusar esse tipo de cooperação institucional em um cenário de violência crescente não soa como independência administrativa — soa como isolamento político.

E isolamento nunca foi política pública de segurança.

Entre governar e fazer política

O contraste fica evidente.

De um lado, o governo federal tentando articular ações nacionais de prevenção à violência contra mulheres.

Do outro, um governo estadual dizendo que já faz o suficiente enquanto os indicadores continuam altos.

É a diferença entre:
política baseada em dados
política baseada em convicção ideológica

E estatísticas não ligam para ideologia.

Quando o orgulho vira problema

O bolsonarismo mais radical costuma confundir autonomia com confronto institucional.

Só que, quando o assunto é feminicídio, isso deixa de ser discurso e vira responsabilidade pública.

Porque violência contra mulheres não diminui com bravata política.

Diminui com política pública coordenada, investimento e cooperação entre governos.
Simples assim.

Conclusão

Santa Catarina pode até acreditar que consegue resolver o problema sozinha.

Mas os números mostram que talvez fosse melhor aceitar ajuda.

Porque feminicídio não é disputa política.

É uma tragédia social.

E tragédia não se combate com orgulho — se combate com ação conjunta.

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Bituca Salim

Bituca Salim é comunicador político independente que traduz política, economia e poder em linguagem direta e sem maquiagem. Entre humor ácido e debochado e dados reais, expõe hipocrisias, critica privilégios e provoca debate. Não pratica neutralidade falsa e assume lado: o de quem vive do trabalho, não do rentismo. Informar, cutucar e tirar da zona de conforto é o objetivo.

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